No início de nosso século, aqui era muito forte o regime patriarcal, as mulheres não se inteiravam das atividades dos maridos, todas as compras inclusive para a família eram feitas por ele e era comum que nunca soubessem dos seus bens matérias como também desconhecessem a quantia em dinheiro que o chefe da família possuia. Esses senhores traziam suas moedas muito bem guardadas e muitas vezes enchiam potes com elas e os enteravam; e embora precisassem usá-las em necessidade própria ou de seus familiares, não tinham coragem de se dispor de suas ricas moedinhas que continuavam enterradas, visto que a medida que o tempo passava aquele dinheiro não se desvalorizava.
Acontecia que esses senhores ao morrer, deixavam seus tesouros sem que ninguém soubesse onde; então com o passar do tempo, começavam a aparecer coisas estranhas durante as noites como: fogo que não consumia, gemidos, sons de passos etc. então quando em algum lugar começavam a aparecer essas VISAGENS, o povo dizia: "ali tem botija".

Em nossa região, são muitas as estórias de "botijas," algumas são mesmo fantásticas e muita gente afirma já ter recebido em sonho a doação de uma botija.

Enquanto ela estiver enterrada, a alma do defunto não encontra paz, fica vagando naquele local fazendo visagem até que alguém p'ra quem a alma deu em sonho o dinheiro vá lá e, vencendo todo medo provocado pelas almas que aparecem, desenterre a botija para si. Dizem os caboclos que para gozar daquela riqueza é preciso que a pessoa vá só e que não demonstre medo algum enquanto estiver cavando (nessa hora até o satanás vai ao local fazer medo p'ra pessoa) e nem demonstre ambição, caso contário, o tesouro se desfaz e a alma do avarento que enterrou a botija será condenada eternamente ao suplício do inferno. Se a pessoa vencer tudo isso e apossar-se do tesouro, tem que se mudar para um outro lugar bem distante para poder gastá-lo. Se a botija for desenterrada com êxito, desaparece a assombração pois, a alma alcançará enfim o descanso eterno.


É o sr. D'Jalma quem nos conta esse fato.
Morávamos no terreno de meu sogro, o Coronel Aníbal. Esse terreno ficava atrás da igreja de Miraselvas, próximo ao cemitério, era um terreno grande e bonito. Nesse terreno, em determinadas noites aparecia um fogo e, as pessoas que viam aquele fogo em movimento, tinham opiniões diferentes: uns diziam que era do cemitério, outros diziam que não.
Tínhamos um velho amigo, nosso vizinho e compadre de minha esposa, que frequentava a nossa casa e, quando ele via aquele fogo passar lá atrás do cajueiro, perto do açude, falava que lá devia ter uma botija. Um dia ele nos convidou a mim e minha esposa para ir arrancá-la; ele tinha medo, então eu falei: nós vamos e qualquer coisa... nós somos três e um se agarra ao outro e ... fomos lá à meia noite, chegando ao local começamos a cavar; ele um pouco e eu outro até que batemos em alguma coisa lá em baixo, através do buraco que fazíamos, aparecia algo redondo e duro como a boca de um pote; então ficamos entusiasmados, tremendo de ansiedade porque já estava para chegar à botija tão esperada por nós e, ali naquela euforia continuamos a cavar mas...não sei o que aconteceu, o certo é que, quando continuamos a escavação só conseguimos encontrar uns três dedos da formação da boca do pote, o resto...desapareceu .Cavamos muito mais e não conseguimos achar nada além disso.
Quem nos conta é o sr. José Mourão.
Durante a minha meninice, existia na Vila de Tauari um fato bastante intrigante: era a famosa LUZ DO CORTE.
Durante muito tempo, a estrada de ferro que ligava Belém à Bragança, tinha uma reta antes de chegar à Vila de mais ou menos três quilômetros. Tauari ficava num alto, então, através dessa reta de longe se avistava as pessoas que vinham para Tauari. Existia então o corte de Santa Maria, quando o trem passava era visto, então, da distância de três quilômetros.

Durante as noites, principalmente nas noites sem lua, aparecia uma luz como se fosse o lume de uma lamparina, lá no fim dessa reta e, vinha gradativamente aproximando-se até uns 200 metros da estação do trem, quando alguém se encaminhava na direção dela, ela apagava e, quando acendia novamente já estava as costas da pessoa que ia em sentido contário à luz.

Por muitos e muitos anos essa luz existiu: então o povo acreditava que aquela luz denunciava a existência de uma botija enterrada naquela área e que aquela "alma penada"que em vida havia enterrado o tesouro estava aguardando com aquela luz alguém que fosse à sua procura e o desenterrasse libertando-a assim daquela penitência.

Mas, com o término da Estrada de Ferro e automaticamente com o fim dessa reta, e a construção da estrada de rodagem, a área ficou completamente diferente, então hoje já não existe mais a luz do corte, desapareceu completamente, como... ninguém sabe, talvez tenha aparecido alguém "piedoso" e decidido que foi lá à meia noite, e libertou aquela alma penada, daquela sina, daquele sofrimento. Ninguém sabe, o certo é que A LUZ DO CORTE JÄ NÃO EXISTE.


Maria José, menina de apenas l4 anos, Juca para o povo da redondeza, era filha adotiva do sr. Antônio e Maria Lopes: morava em Tauari desde que nascera.
Todos os dias ia vigiar o gado da família no pasto.

Na tarde de oito de setembro de l980, saiu para fazer seu trabalho diário e, chegando as dezoito, horas ainda não havia voltado para casa, os pais então começaram a procurá-la. Um garoto falou tê-la visto próximo a um açaizeiro, quando ia para sua casa mas que ela havia sumido.

Ninguém sabia dar uma informação precisa. Chegou a noite. Todo povo da vila procurava e, assim passaram-se duas semanas. O seu Antônio Lopes ofereceu recompensa a quem a encontrasse e a população se espalhou na área de mata p'ra onde Juca havia ido, esquadrinharam toda a região de três quilômetros. A notícia se espalhou também pelas localidades vizinhas mas a menina não foi encontrada. Então convencidos de que ela já não vivia, abandonaram a busca.

Passados cinquenta dias, dois caçadores : Manoel Pedro e Francisco Vieira, sairam para caçar e, chegando ao igarapé chamado Braço Seco, próximo a um cercado, viram no leito seco do rio, uma rasteira já um pouco apagada que era desconhecida por eles, e seguindo-o avistaram um vulto no meio do igarapé seco, estava sentado bem encolhidinho num buraco de aproximadamente meio metro de profundidade, com cabelos longos emaranhados, formando uma grande moita, o olho esquerdo estava transformado numa grande bicheira, porém não apresentava nenhum arranhão. Os dois homens reconheceram que aquela pessoa era Juca, a moça desaparecida a cinquenta dias atrás. Seu Manoel ficou tão assombrado com o que via que não tinha condição de aproximar-se. Seu Francisco abaixou-se, e chamou-a pelo nome, na terceira vez ela tentou levantar a mão, mas não teve força para completar o gesto, e seu braço caiu ao solo. Quando os dois caçadores chegaram com a notícia, o pai de Juca e sua família munidos de rede, lençol e água, saíram para buscá-la. No caminho, outras pessoas juntavam-se ao grupo. Chegando ao local, seu Antônio reconheceu ser mesmo sua filha. Dona Maria pegou-a ao colo, descobriu-lhe o rosto, molharam seus lábios ressequidos com um pouquinho de água e, colocaram-na na rede atada ao pau de carga, porém, Juca dava seu último suspiro, sem pronunciar uma única palavra deixando todos a indagar o que teria acontecido. Para as pessoas, principalmente as que a procuraram por tanto tempo, aquilo era um grande mistério, visto que Juca era familiarizada com a área e próximo ao local onde foi encontrada numa distância de trezentos metros havia moradores e um banheiro a apenas cem metros.

O povo não encontrando explicação para o fato, diz que foi Curupira, o guardião das matas que a atraiu e se apossou de Juca.

 
Segredo é uma área próxima a Tauari. Muitos dizem ser misteriosa e por isso temida, essa crença data antes mesmo da fundação da Vila. Quando ainda não existia o trem e a pessoas viajavam seguindo a linha telegráfica, o Lago do Segredo passou a ser conhecido.
Nessa época, eram fortes os ânimos, era com freqüência que as pessoas brigavam, matavam e assassinavam. Quando era cometido um crime e a polícia começava a perseguir o culpado, ele fugia e se escondia nessa região considerada boa pois que lá tinha caça e pesca com fartura. Assim quando alguém perseguido desaparecia diziam: ele está no Segredo. Lá a polícia não ia e o criminoso depois de algum tempo fugia para outra região impunemente.

E de tanto ser usado esse têrmo, aquela área é conhecida por este nome - SEGREDO.